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Entrevista a Rodrigo Baggio (Brasil)

Por José Luis Tesoro
(Se exhiben versiones en portugués y en castellano) 
           
   



Versión en Portugues

Rodrigo Baggio é empreendedor social e fellow das quatro principais organizações de apoio ao empreendedorismo social: Avina, Ashoka, Schwab Foundation e Skoll Fondation. Possui o título de Doutor Honoris Causa em Ciências Humanas, concedido pela DePaul University, em Chicago. Com um amplo reconhecimento nacional e internacional por seu projeto pioneiro de promover a inclusão social via inclusão digital, Baggio foi indicado pelo Fórum Econômico Mundial como um dos “100 Global Leaders for Tomorrow”. E a CNN o apontou como um dos líderes de América Latina que farão diferença no terceiro milênio. Outras entidades que concederam a Rodrigo e ao CDI seus mais de 50 prêmios e chancelas relevantes são a ONU, Unicef, Unesco, Tech Museum, Time, Fortune, Clinton Global Initiative e Fundação Abrinq, no Brasil.
Sitio Web: http://www.cdi.org.br/


1. ¿Quais são, no seu ponto de vista, as características marcantes das experiências mais avançadas no mundo relativas à inclusão digital e à formação cidadã através das TIC?

As experiências mais avançadas, à semelhança do CDI, nunca privilegiam a modernidade, sofisticação e arrojo dos equipamentos. Ao contrário: estão mais preocupadas com os conteúdos da aprendizagem, com a linha pedagógica, e têm sempre um forte viés comunitário. E não poderia ser diferente, pois essas experiências se processam em países menos favorecidos, que são justamente os que mais necessitam praticar a inclusão digital para fins de transformação social. Por isso, o CDI defende e estimula a utilização a tecnologia como ferramenta cidadã, capaz de empoderar os indivíduos socialmente excluídos e reduzir as desigualdades.

A tecnologia, por si só, já exerce um enorme fascínio, sobretudo nos jovens. Então, precisamos lançar mão do aparato tecnológico para provocar a reflexão crítica, incentivar discussões sobre a realidade, instigar a mobilização e fomentar o surgimento de agentes de mudança entre os que passam a ter acesso ao computador. Nós, do CDI, enxergamos inclusão digital como ponte que une educação, tecnologia, cidadania e empreendedorismo. O verdadeiro processo de inclusão digital consegue impactar pessoas e comunidades, formar redes sociais e, mais do que isso, libertar através do conhecimento.

2. ¿Que aspectos você destacaria na problemática da inclusão digital nos países latino-americanos?

Nos países latino-americanos, existem inúmeras necessidades não atendidas, que disputam espaço entre si. São demandas por escola, trabalho, saúde, saneamento, paz... Dessa forma, a inclusão digital nem sempre conquista um lugar prioritário na fila, sendo relegada pelo poder público e até pelos que são vítimas do apartheid digital.

Mas, de uns anos para cá, muitos países da América Latina começaram a correr atrás do prejuízo causado pela exclusão digital, que se reflete no desenvolvimento. E, em muitos casos, essa reação partiu da própria sociedade civil organizada, que buscou parcerias junto ao poder público e a empresas para viabilizar seus esforços. Não é à toa que a experiência do CDI se expandiu, com sucesso, para sete países latino-americanos, que a adaptaram às suas realidades. E, ainda hoje, somos procurados por governos e instituições latinas que querem conhecer melhor o nosso trabalho.

De maneira geral, o Terceiro Setor na América Latina cumpre um papel estratégico na defesa e promoção da inclusão digital. Além de desenvolver ou apoiar projetos na área, dissemina a causa junto ao setor acadêmico, privado e estatal.

3. ¿Como você percebe a atual situação dos países latino-americanos em relação à inclusão digital e à formação cidadã?

Alguns deles estão bem mais à frente nesse campo, até porque despertaram há mais tempo para a importância de lutar contra o abismo digital. O Brasil, por exemplo, tem a vantagem de ter começado mais cedo do que todos, pois o CDI, que é pioneiro em inclusão digital na América Latina, nasceu aqui em 1995. No entanto, por ter uma população de cerca de duzentos milhões de pessoas e dimensões continentais, o país ainda sofre com a exclusão mais do que outros, como Chile e Uruguai. Quase metade dos brasileiros acima dos 10 anos nunca teve acesso ao computador e 59% jamais se conectou à Internet.

Cabe destacar, porém, que o desafio da inclusão digital está atrelado a vários fatores, como condições geográficas, nível de escolaridade da população e infra-estrutura de conexão. Dependendo do cenário, cada fator pode implicar grandes investimentos ou exigir soluções criativas. Mas o principal aspecto diz respeito à vontade política. É fundamental que os governos queiram, de fato, implementar uma política nacional de inclusão digital, e que ela seja sólida e democrática. Também é fundamental que a sociedade participe ativamente da construção desse modelo, que deve levar em consideração as iniciativas bem-sucedidas já existentes. Por que não se espelhar no que há de bom? Penso que, às vezes, falta diálogo entre poder público, organizações e empresas, o que dificulta o resultado dos projetos e provoca desperdício de tempo e recursos.

4. ¿Quais são as tendências mais relevantes nos países latino-americanos em termos de inclusão digital e formação cidadã?

Em vários países, nós observamos a proliferação do modelo de telecentros, que faculta o acesso, mas não dá suporte ao usuário, não acompanha seu desempenho e nem monitora seus resultados. O que acontece ali é um simples contato com a máquina. Em função disso, o CDI tem procurado, cada vez mais, expandir seus contatos e sua presença na América Latina. Não concorremos com telecentros, mas consideramos relevante disponibilizar outras opções para quem busca a tecnologia.

Em princípio, toda e qualquer iniciativa de combate à exclusão digital é bem-vinda e merece reconhecimento, mas, quando se trata de fazer os países darem um salto qualitativo em seu desenvolvimento e sua dignidade, um projeto social como o do CDI faz toda a diferença. A começar pelo fato de que adotamos uma proposta político-pedagógica que prioriza a autonomia de educadores e educandos, para que reescrevam sua história e se tornem autores do seu próprio destino. A tecnologia é somente um instrumento nesse caminho, um atalho. Você pode usá-la de maneira tola ou irresponsável ou para pesquisar, aprender, denunciar, trocar experiência, ganhar vez e voz.

5. ¿Você poderia nos dar um resumo da experiência do CDI no campo da inclusão digital e formação cidadã?

O CDI foi criado a partir de um sonho de uma única pessoa, mas tornou-se, ao longo de 14 anos, uma obra coletiva e bem alicerçada, premiada internacionalmente com 55 prêmios e títulos. Começamos criando espaços de informática e cidadania em algumas comunidades de baixa renda, e hoje somos uma rede de referência, presente no Brasil e mais nove países. Atuamos em penitenciárias, em aldeias indígenas e ribeirinhas, em instituições para portadores de deficiência e para pacientes com transtorno mental, entre outros locais. Já publicamos dois livros, sendo “Cidadania Digital” o mais recente. Neles, estão relatados os nossos números e nossos resultados: mais de um milhão de pessoas capacitadas e milhares de vidas transformadas, inclusive de pessoas oriundas da criminalidade.

Na fase atual, o CDI passa por um rico processo de reinvenção organizacional. Nossos espaços, agora, oferecem ainda mais cursos e também diversos serviços, com vistas à sustentabilidade. Sempre gosto de frisar que o CDI nunca deu o peixe, mas ensinou a pescar.
 
Por outro lado, também nos envolvemos com uma série de temas vinculados à inclusão digital. Entre eles, o lixo tecnológico, o uso responsável da tecnologia e o funcionamento das lan houses. Na medida do possível, buscamos contribuir para o aperfeiçoamento da sociedade e apoiar movimentos por um mundo melhor.





Versión en castellano


Entrevista a a Rodrigo Baggio (Brasil), Fundador y Director Ejecutivo del Comité para la Democratización de la Informática (CDI)
Por Sandra Brant (Brasil)
(Traducida por José Luis Tesoro, con revisión y visto bueno del entrevistado)

Rodrigo Baggio es emprendedor social galardonado por las cuatro principales organizaciones de apoyo en materia de emprendimiento social: Avina, Ashoka, Schwab Foundation y Skoll Fondation. Posee título de Doctor Honoris Causa en Ciencias Humanas concedido por la DePaul University en Chicago (EE.UU.). Con amplio reconocimiento nacional e internacional por su proyecto pionero de promoción e inclusión social sustentado en la inclusión digital, fue seleccionado por el Foro Económico Mundial como uno de los “100 Líderes Globales del Mañana” y por la CNN como uno de los “Líderes de América Latina para el Tercer Milenio”. Rodrigo y el CDI recibieron, asimismo, más de 50 relevantes premios y reconocimientos de entidades como ONU, Unicef, Unesco, Tech Museum, Time, Fortune, Clinton Global Initiative y Fundação Abrinq (Brasil).
Sitio Web: http://www.cdi.org.br/  

1. ¿ Cuáles son, a tu criterio, las características salientes de las experiencias más avanzadas en el mundo en lo relativo a inclusión digital y formación cívica a través de las TIC?

Las experiencias más avanzadas, a semejanza de nuestro Programa CDI, no privilegian la modernidad, la sofisticación ni la potencia de los equipamientos. Por el contrario, su preocupación central reside en los contenidos del aprendizaje, su coherencia con los lineamientos pedagógicos, y sus resultados e impactos comunitarios. Y no podría ser de otra manera, dado que esas experiencias se ejecutan en países menos favorecidos, que son los que más necesitan desarrollar la inclusión digital para plasmar transformaciones sociales relevantes. En ese marco, el CDI promueve y estimula la utilización de la tecnología como herramienta ciudadana, capaz de empoderar a los individuos socialmente excluidos y reducir las desigualdades.

Dado que la tecnología ejerce hoy una enorme fascinación, sobre todo en los jóvenes, es pertinente sustentarnos en el aparato tecnológico para provocar la reflexión crítica, incentivar discusiones sobre la realidad, instigar la movilización y fomentar el surgimiento de agentes de cambio entre quienes pasan a tener acceso al computador.

En el CDI nos basamos en la inclusión digital como puente para unir educación, tecnología, ciudadanía y emprendimiento. El auténtico proceso de inclusión digital tiene notorios impactos sobre las personas y las comunidades, mediante la constitución de redes sociales y de la emancipación liberadora a través del conocimiento.

2. ¿Qué aspectos destacarías en la problemática de la inclusión digital en los países de América Latina?

En los países latinoamericanos existen múltiples necesidades no atendidas que compiten por prioridad, tanto en educación, trabajo, salud, saneamiento y seguridad, entre otras. En ese marco, la inclusión digital no siempre alcanza una posición prioritaria, resultando frecuentemente relegada por el poder público y hasta por los mismos excluidos en la brecha digital.

Sin embargo, desde hace varios años, diversos países de América Latina comenzaron a afrontar los perjuicios emergentes de la exclusión digital en términos de desarrollo. En muchos casos, esa reacción partió de la propia sociedad civil organizada, a través de alianzas con el sector público y con empresas. No es casual que la experiencia del CDI se haya expandido, con éxito, en siete países latinoamericanos que la adaptaron a sus propias realidades. Y aún hoy somos buscados por gobiernos e instituciones de distintos países interesados en conocer mejor nuestro trabajo. En general, el “tercer sector” desempeña -en América Latina- un rol estratégico en la defensa y promoción de la inclusión digital. Además de desarrollar o apoyar proyectos en el área, disemina socialmente la causa de la inclusión digital junto a los sectores académico, privado y estatal.

3. ¿Cómo percibes la situación actual de los países de América Latina en cuanto a inclusión digital y formación cívica?

Algunos de los países van a la vanguardia en ese campo por haber descubierto antes que otros la importancia de luchar contra el abismo digital. Brasil, por ejemplo, tiene la ventaja de haber comenzado antes que los demás países de la región, habiéndose lanzado el CDI en 1995 como proyecto pionero en inclusión digital en América Latina. Sin embargo, dada su magnitud continental y su población –cercana a doscientas millones de personas- Brasil padece aún una exclusión mayor que otros países como Chile y Uruguay. Prácticamente la mitad de los brasileños mayores de 10 años nunca tuvo acceso a un computador y 59% jamás se conectó a Internet.

Cabe destacar, sin embargo, que el desafío de la inclusión digital está asociado a diversos factores, como condiciones geográficas, nivel educativo e infraestructura de conexión. Dependiendo del escenario, cada factor puede requerir grandes inversiones o exigir soluciones creativas. Pero el principal factor de desarrollo reside en la voluntad política, en la auténtica vocación de los gobiernos para implementar una política nacional de inclusión digital sólida y democrática. También es fundamental que la sociedad participe activamente en la construcción de ese modelo, tomando en consideración las buenas iniciativas ya existentes. La insuficiencia de diálogo entre el sector público, las organizaciones sociales y las empresas dificulta el resultado de los proyectos y provoca desperdicio de tiempo y recursos.

4. ¿ Cuáles son las tendencias que percibes como más relevantes en Iberoamèrica en materia de inclusión digital y formación cívica?

En varios países observamos la proliferación de un modelo de telecentros que, si bien facilita el acceso, no presta apoyo al usuario, no acompaña su desempeño ni monitora sus resultados. La oferta en este modelo se limita al contacto con la máquina. En función de esas limitaciones, el CDI ha procurado una creciente expansión de sus contactos y de su presencia en América Latina. Si bien no “competimos” con los telecentros, ofrecemos otras opciones con mayor potencial transformador para quienes buscan el acceso a la tecnología.

En principio, toda iniciativa dirigida a combatir la exclusión digital es bienvenida y merece reconocimiento, pero un proyecto social como el CDI exhibe mayor efectividad para contribuir a un cambio cualitativo en el desarrollo y la dignidad de los países, dado que se sustenta en una propuesta político-pedagógica que prioriza la autonomía de educadores y educandos para replantear su historia y adquirir protagonismo en su propio destino. La tecnología es sólo un atajo instrumental en ese camino. Cada uno puede usarla de manera fútil, o bien para investigar, aprender, denunciar, intercambiar experiencia y ganar incidencia para transformar la realidad.

5. ¿Podrías proporcionarnos una reseña de la experiencia del Comité para la Democratización de la Informática (CDI), en materia de inclusión digital y formación cívica?

El CDI fue creado a partir de un sueño de una única persona, pero se fue constituyendo, a lo largo de 14 años, en una obra colectiva y bien encaminada, reconocida internacionalmente con 55 premios y títulos. Comenzamos creando espacios de informática y ciudadanía en algunas comunidades de bajos ingresos, y hoy somos una red de referencia, presente en Brasil y en otros nueve países. Trabajamos en penitenciarias, en aldeas indígenas y ribereñas, en instituciones para tratamiento de discapacidad y de afectados por trastornos mentales, entre otros focos de alta vulnerabilidad y significación social. Ya publicamos dos libros, siendo “Ciudadanía Digital” el más reciente, en los que se describen nuestros procesos, resultados e impactos: más de un millón de personas capacitadas y miles de vidas transformadas, inclusive de personas que lograron superar la criminalidad.

En la fase actual, el CDI transita un rico proceso de reinvención organizacional. Nuestros espacios ofrecen ahora más cursos y diversos servicios para consolidar la sustentabilidad. Siempre señalo que “el CDI nunca distribuyó pescado, sino que siempre enseñó a pescar”.

Por otra parte, también nos involucramos en una serie de cuestiones vinculadas con la inclusión digital, tales como la disposición y reciclado de desechos tecnológicos, el uso responsable de la tecnología y el funcionamiento de las casas de juegos en red (“lan houses”). En la medida de nuestras posibilidades, buscamos contribuir al perfeccionamiento de la sociedad y apoyar los movimientos para un mundo mejor.